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  • Mariana Steiner

COVID: Carma e Fé


Desde o início da pandemia tenho escutado de algumas pessoas (vizinhos, amigos, colegas de trabalho) que continuaram com sua rotina normal e muitas vezes não seguiram os protocolos recomendados (máscara e isolamento social) com a justificativa de que “ter” COVID e seus desdobramentos seria uma questão de carma e fé.


Antes de desenvolver o meu raciocínio vou resumir um conto indiano:

"Na índia, havia um sábio que conseguia ver o futuro das pessoas. Um dia ele se cansou de ficar vendo o futuro dos outros, pois as pessoas não entendiam o significado de futuro e se isolou num lugar bem distante. Depois de algum tempo, dois rapazes se perderam no meio de uma floresta e, já ia ficando noite quando avistaram uma casa. Bateram na porta e a pessoa que atendeu os acolheu por aquela noite. Eles perceberam que seu anfitrião era o sábio que via o futuro e que havia sumido. Empolgados, pediram para ele ver o futuro deles. O sábio relutou bastante, sempre avisando que o futuro não é uma coisa fixa como eles imaginavam. Por fim, o sábio cedeu e falou para um dos amigos: “Em um ano você será rei” e, para o outro “Em um ano você estará morto”. Os dois amigos retornaram as suas casas e, o amigo que o sábio previra que ia ser rei, tornou-se muito arrogante e autoritário, como se já fosse rei. Enquanto o outro, começou a viver cada dia da sua vida como se fosse o último, com muita consciência, fazendo suas escolhas cuidadosamente.

Passado um ano, o amigo que ia tornar-se rei continuava sem ser rei e o amigo que ia morrer, continuava vivo. Então, eles resolvem voltar ao sábio. O amigo que ia tornar-se rei resolveu levar uma sacolinha de moedas para mostrar suas riquezas ao sábio, que estava longe de ser as posses de um rei. No meio do caminho, os amigos são atacados por um ladrão. O amigo que levava a sacola de moedas a entrega para o ladrão e sai correndo e, o outro toma-a do ladrão, mas acaba saindo ferido, com um corte no ombro. Mesmo após esse acontecimento, eles continuam seu caminho em busca do sábio. Chegam à casa dele e questionam a visão de futuro que teve há um ano, já que nenhuma das suas previsões aconteceu. Um estava apenas com um pequeno saco de moedas e o outro estava vivo. E o sábio explica que o futuro é construído a todo momento. E diz ao primeiro, que ele tinha um bom carma para se tornar rei, mas que se tornou tão arrogante, mesquinho e autoritário que o bom carma dele foi reduzido a sua sacolinha de moedas. E que, o outro, tinha um mau carma, mas que se tornou tão virtuoso, que o mau carma dele foi reduzido a um corte."


Essa história mostra claramente que o carma não é algo fixo, ele é construído a cada instante por nós, podemos abrandá-lo ou maximiza-lo.


Diante disso podemos pensar: “Será que se eu quero passar por cima das regras sanitárias (não utilizar máscara, me colocar em situações de risco como aglomeração) fazendo com que eu seja mais uma pessoa que pode transmitir o vírus para os outros, estou construindo um bom carma?”


E se falarmos de fé, reflita: você vai saltar de um avião sem paraquedas porque você tem fé? Outra coisa é você estar se cuidando e ter fé para que nada de ruim aconteça.


Se eu apenas confio na lei do carma, no sentido de que meu destino já está traçado e não posso fazer nada para mudar, estou sendo uma pessoa passiva perante minha vida. E, se eu apenas tenho fé, acreditando que tudo que acontece na minha vida é a vontade de alguém, estou vivendo à mercê de outrem. E onde fica a minha parte nisso tudo? Não existe?


Tanto no carma como na fé, o importante é entender que podemos e devemos fazer a nossa parte. Podemos sempre melhorar nosso carma tendo atitudes que condizem com a realidade, sem prejudicar os outros que estão a nossa volta. E, ter fé, também é importante, desde que saibamos utilizá-la com coerência.

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